Pitta, Eduardo
 

(Lourenço Marques, 1949) - É poeta, ficcionista, ensaísta e crítico de poesia (www.eduardopitta.com). Natural de Moçambique, onde viveu até Novembro de 1975, a sua obra desenvolve-se em três planos simétricos: o poético, o ensaístico e, mais recentemente, o ficcional. Se, num primeiro momento (de que são exemplo as colectâneas Sílaba a Sílaba, 1974, e Um Cão de Angústia Progride, 1979), o tom hermético não iludia as contradições da questão colonial, a sua poesia veio a evoluir no sentido de um expressionismo centrado na identidade sexual do sujeito. São disso exemplo os livros que publicou nos anos 1980, em particular Olhos Calcinados (1984) e Archote Glaciar (1988). Noutro plano, a sua actividade crítica e ensaística — em especial nas revistas LER e Colóquio-Letras — tem incidido sobre obras e autores contemporâneos. Uma selecção alargada da sua poesia encontra-se reunida em Marcas de Água (1999), e outra de ensaios em Comenda de Fogo (2002). 

Na Angelus Novus publicou a trilogia de contos Persona (2000), obra com a qual se verifica uma profunda deslocação na sua escrita. A crítica referiu-se ao facto de esta obra reactivar experiências de leitura de algum património moral do século XVIII, justamente por nela encontrarmos marcas de género, digamos assim: ritmo acelerado, narrador autoritário, pathos autobiográfico e sobredeterminação da pulsão erótica. O ensaio publicado em 2003 na Angelus Novus, intitulado 
Fractura. A Condição Homossexual na Literatura Portuguesa Contemporênea, insere-se na tradição (entre nós inexistente) dos gay studies.

 

 
 
 
 
 
     
     
     
    Logo Adobe Reader Adobe reader | Logo Adobe Flash Player Adobe Flash Player