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Persona
Sobre o livro
Persona é a primeira incursão de Eduardo Pitta no domínio da ficção. A obra é composta por três narrativas curtas - Marylin, Kalahari e Pesadelo -, a última das quais merecerá, pela sua extensão, a designação de novela. Nas suas breves 60 páginas, Persona é um acontecimento na literatura portuguesa, na medida em que integra, na companhia talvez de A Sombra dos Dias, de Guilherme de Melo, e Lunário, de Al Berto, a tríade mais notável da nossa escrita gay. A singularidade absoluta desta obra nas letras portuguesas deriva da forma como articula o universo colonial moçambicano com a prática de uma identidade gay que faz do homossexual um epítome da decadência do império, numa premeditada atitude de cinismo social que acaba por fazer dele uma figura crítica. A explicitude da linguagem, o desassombro na revelação do lado oculto da guerra colonial, surgem aqui despojados de qualquer retórica reivindicativa ou heróica, a qual é terapeuticamente substituída pelo duche frio de um olhar não disponível para se enredar nas armadilhas da nostalgia amorosa, sexual ou colonial.
Para resumir e concluir, diga-se que em Persona há abuso (Marilyn), identidade gay (Kalahari) e arbítrio de poder (Pesadelo). Mais guerra colonial e borrasca imperial.
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