ISBN: 978-972-8827-40-3
Data: 2008
Pp.: 170
Capa: Capa dura
PVP: € 12.30
Preço Online: € 11.07
 

 
 

Caravana

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Sobre o livro

Caravana: um desfile de pequenos e grandes absurdos corporizados em pequenas criaturas de nomes estranhos. Uma fauna estranha mas nossa próxima, nossa vizinha, nossa irmã. A microficção portuguesa ganha em Rui Manuel Amaral, e nesta Caravana, a sua carta de alforria.

“Estamos tão habituados a sofrer ou a vergastar o absurdo do país, que nos esquecemos que há um absurdo maior, tão antigo quanto a humanidade e tão salutar quanto arreganhar os dentes à ordem do universo. Os micro-contos de Rui Amaral fazem-nos rir de uma forma metafísica e perfeitamente natural. Eis um autor que sabe que o absurdo é irmão gémeo da lógica do mundo, e não receia experimentar a sua companhia. Não há muitos em língua portuguesa. Devíamos tratá-lo como espécie protegida.”
Luís Mourão

Recensões

A editora coimbrã Angelus Novus acaba de criar uma colecção de microcontos, género praticamente inexplorado por cá e que a tradicional resistência portuguesa às narrativas curtas poderia desincentivar. Felizmente não desincentivou, porque Caravana, de Rui Manuel Amaral, é uma muito promissora estreia literária.

Em 60 textos que raramente ultrapassam uma página, Rui Manuel Amaral põe em cena personagens com nomes quase tão bizarros (Andrew Borstlap, Marforio Panurgo, Bartek Praszalek, etc.) como as situações que vivem. A lógica fica distorcida, o absurdo impera e vemos surgir homens sem coração que morrem de paragem cardíaca, outros que perdem a alma no café, rios que insultam russos bucólicos, autocarros "muito perspicazes" ou poetas que tanto coçam o cocuruto como o anacoluto.

O estilo é cuidado, minucioso, lapidar. A ironia, afiadíssima e meta-literária. O narrador, esse, aparece-nos quase sempre difuso, descentrado, obsessivo (pródigo em notas de rodapé), mas também intrometido e prestidigitador, trocando-nos as voltas com histórias que se suspendem a meio ou nem sequer chegam a começar. Como esta: "Ptolomeu Hefestião resistia imutavelmente a todos os ataques dos homens e à fúria mais terrível dos elementos. Mas era incapaz de resistir ao suave toque de um asfódelo. Uma bela moral se poderia tirar facilmente daqui, mas não tenho tempo para isso. Bastará dizer que os morangos silvestres, sempre que possível, devem ser acompanhados com chantilly, pois trata-se de um ingrediente que introduz variedade e impede que esmoreça o apetite."

Gabriel Pinto, Time Out Lisboa (25 de Março de 2008)

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