Trad.: Osvaldo Manuel Silvestre
ISBN: 972-8115-94-6
Data: 2003
Pp.: 12
PVP: € 4.5
Preço Online: € 4.05
 

 
 

Che cos è la poesia?

Derrida, Jacques

Sobre o livro

Publicado inicialmente na revista italiana Poesia, em Novembro de 1988, e tendo preservado dessa publicação inicial o título em italiano, Che cos’è la poesia? viria depois a ser recolhido no volume Points de Suspension, em 1992. 

Trata-se de uma das mais idiossincráticas reflexões sobre a poesia na obra de Derrida, uma obra na qual a poesia, e mais latamente essa «estranha instituição chamada literatura», ocupou um lugar crescente a partir de final dos anos 70.

Recensões

Talvez a poesia seja a ilusão de uma plenitudemas a própria experiência do poeta e do leitor nos dizem que se trata de algo que deixa sempre um resto.

É esse resto que resiste que surge em Derrida como «o segredo». Um segredo que inesperadamente aparece sob o signo de um animal que, enovelando-se sobre si próprio, representa o próprio movimento da escrita de Derrida: o ouriço. Segredo, sim, «um segredo partilhado, a um tempo público e privado, absolutamente um e outro, absolvido de fora e de dentro, nem um nem outro, o animal lançado na estrada, absoluto, solitário, enrolado em bola junto de si».

 

Para Jacques Derrida (…), o poema vem sempre do outro, é um ditado do outro, que eu desejo aprender de cor, isto é, através do coração que memoriza um texto que se define pela concisão e a economia das palavras. Há um percurso do poema (e a poesia não existe, existem poemas), que vai desde o cais de partida ao porto de chegada, deixando que se inscreva no texto a marca da origem e as vicissitudes do percurso (desfiguração, transfiguração, indeterminação), e tendo sempre no horizonte a potencial relação com um referente: «Come, bebe, engole a minha letra, porta-a, transporta-a em ti como lei de uma escrita em que o teu corpo se tornou: a escrita em si». Que esta escrita em si tenha a ver com a configuração linguística do poema de que fala Adorno, eis o que me parece bastante óbvio. Mas o que em Derrida se reforça é a energia do «tu» e a paixão do singular: «Chamarás poema a uma encantação silenciosa, à ferida áfona que de ti desejo aprender de cor

 

Eduardo Prado Coelho, «Esse Pássaro Fluido», Público / Mil Folhas, 5 de Julho de 2003

 
 
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